Onde o tempo vale ouro

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Faz quase dez anos que deixei de usar relógio de pulso por questões filosóficas – quis me livrar daquelas amarras do tempo. E constatei que sempre que você precisa saber as horas encontrará um relógio à disposição. Essa ideia ganha ainda mais força se você estiver em Genebra, na Suíça. A obsessão por relógios está nas ruas, nos restaurantes (o La Cité du Temps oferece exposição da história do Swatch) e nos museus (o Patek Philippe, um dos maiores da cidade, é totalmente dedicado ao tema). E não é qualquer relógio – tampouco qualquer hora. Ali, o tempo tem precisão e grife. Relógios podem ser joias, mas também obras de arte. Por justamente o tempo ser um dos maiores bens de nossa época, não tive paciência ou talvez não consegui atribuir aos relógios esse valor. Mas achei muito charmoso – e de identidade própria – os relógios saírem dos punhos para ganhar as ruas da cidade.

Isla mujeres, hombre!

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Um dos lugares que mais me impressionaram no México foi a Isla Mujeres. Para chegar lá, são 28 minutos navegando em águas azuis fosforescentes, tão luminosas que parecem artificiais (lembra Gatorade). E o mar que circunda a ilha, apesar de ser do Caribe (e não oceano Atlântico ou Pacífico) é agitadíssimo (quem falou que não tem onda em Cancún?). Isla Mujeres é daqueles lugares em que há conchas enormes cor-de-rosa na areia (que parecem instrumentos musicais), penhascos recortados por pedras acinzentadas e o local com maior número de templos dedicados às deusas mayas - é possível visitar uma ruína até que bem preservada da deusa Ixchel, da fertilidade. Por isso o nome, Isla Mujeres. E talvez por isso a quantidade enorme de casais em lua-de-mel. O nome também pode ser uma pegadinha para quem acha que vai encontrar um pedaço de terra cheio de mulheres. Na verdade, o ser mais abundante ali é o lagarto (ou iguana, como preferem chamar). Dizem que a civilização maia desapareceu misteriosamente. Teriam os maias se transformado em lagartos? Porque são eles que dominam a ilha.

P.S.: Agora falando de coisas fofas. Foi ali que tive uma das experiências mais incríveis da minha vida. Nadei com o golfinho Lucas e ao por a mão em seu dorso pude sentir bater seu coração. Que fofo! Houve uma conexão.

Casa em obras

Se cada cômodo pudesse ser decorado com uma obra de arte, estas seriam as imagens ideais! Na cozinha, Matisse: Henri-Matisse[1] 

No banheiro, Bonnard:

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No quarto, Klimt:

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Na sala, Monet:

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E no escritório, “Operários”, de Tarsila do Amaral:

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P.s.: adoro a cabecinha do Mário de Andrade!

Quando você pensa em praia, qual a imagem que vem à cabeça?

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Cadê o povo?

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Ele tem dois pontos negativos – está do lado da marginal Pinheiros e se chama Parque do Povo – e dois positivos – tem aparelhos de ginástica para terceira idade que são uma verdadeira viagem e um jardim que é uma horta de temperos mais louco ainda. Tem de tudo – sálvia, manjericão, alecrim, hortelã etc. Falta legenda,  mas não o aviso: é proibido “roubar”. Um homem de bicicleta não se intimida e pega um chumaço de erva cidreira. Devia estar com dor de barriga. Saiu correndo. Se vê mais pais com crianças explicando o que é o que do que mães. Parece que cozinha virou mesmo assunto masculino. E filhos também. Encontrar uma sombra para sentar é um dos maiores desafios do Parque do Povo. O gramado lembra os antigos campos de futebol do local - é extenso, árido. A grama é escassa e pinica. Talvez o Parque do Povo seja como o Villa-Lobos: o parque do futuro. Estará bom quando tiver a idade do Ibirapuera.

Uma tarde no museu

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O Museu da Língua Portuguesa é, sem dúvida, um dos lugares mais legais de São Paulo. Passei momentos curiosos ali dentro. O primeiro foi encontrar uma vírgula entre o sujeito e o predicado numa citação, não me lembro se era de Diderot ou Corneille, na exposição “França no Brasil”.  O segundo foi quando, de frente para uma tela de TV com várias bocas dizendo palavras em francês, uma na minha direção disse “cellulite”. Encarei como um “sinal” e dei o fora dali. Uma coisa boa que aprendi foi que Caetano Veloso roubou uma frase do livro de Sartre para colocar na canção “Alegria, Alegria”. Outro momento divertido foi quando disputei com crianças da terceira série espaço para formar uma palavra digital no “brinquedo” que aparece na foto. E a palavra escolhida pela máquina foi “gentileza”. Apesar de alguns micos e de muito frio, provocado pelo ar-condicionado, tenho que admitir que adoro instalações multimídia e museus interativos.

A nossa Ipanema

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No Jockey Club de São Paulo, a força das ondas é substituída pela energia dos cavalos, a cadeia de montanhas, pelo conglomerado de prédios e os poetas, pelos viciados em jogo. Em vez de barquinhos, helicópteros cortam a imensidão azul. E a tardinha cai.

Lindo garoto de Berlim

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O hotel cafona chama mais a atenção do que o muro. Mesmo assim me comovo ao ver o muro de Berlim. Essa é a primeira visão (ou a última) de quem tem a curiosidade de conhecer o que sobrou desse emblemático pedaço de pedra. A loja de suvenir vende uma garrafinha com lascas da parede. Custa 10 euros. Uma foto tenta provar que as lascas são legítimas. Que ironia do destino. A morte do comunismo ajuda a alimentar o capitalismo. Voltei a ter 15 anos quando me emocionei com a queda do muro. As coisas têm o valor que damos a elas.

Tá azeda?

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Estou. Depois que um vírus maluco entrou no meu computador (e na minha vida), mudei o enfoque deste post. A praia tem esse nome – Azeda – por causa das águas cor de limão. Mas eu adicionaria uma outra razão: o poder de transformar qualquer pessoa azeda na mais doce criatura. Os cardumes de peixe-zebra, o sol quente, a água gelada, a maré avassaladora. A necessidade de mudar de lugar. É muito bom ver o tempo não passar na Azeda, principalmente na Azedinha, a praia ao lado, menor e mais entocada. A mais bonita de Búzios. Agora entendo Brigitte Bardot. Saí de lá a mais doce das criaturas.

Homens-samambaia

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Parece piada ou a revolta dos xaxins, mas não é. Essa é a roupa “camuflada” que os franco-atiradores iranianos usam durante um combate. Eles vestiram o traje para o desfile militar anual, em Teerã. Nem o jornal The Guardian levou os caras a sério. Disse que pareciam o Chewbaca de Guerra nas Estrelas.